Custo aluno da USP é mais barato
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Fonte: Jornal do Campus - Edição 11/2006 - n. 318, ano 25, pag.3
Matéria assinada por Márcio Strumiello e Rafael Duarte
Freqüentemente o ensino público superior é acusado de receber valores excessivos em relação a outras etapas da educação e em relação ao ensino particular. O custo-aluno é uma das despesas discutidas com base nas verbas destinadas à universidade pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O cálculo é feito a partir do número de alunos que usufruem da verba.
Os valores absolutos destinados à Universidade de São Paulo crescem ano-a-ano, chegando a mais de R$ 1,9 bilhão no ano de 2005. Se o custo aluno for calculado com base nesse valor total, o aluno da USP terá um custo muito superior ao que se verifica em outras universidades públicas e particulares. De modo que seria mais barato para o Estado pagar para os alunos estudarem em escolas particulares do que financiar a Universidade de São Paulo.
Entretanto, se considerarmos os valores por curso, excluindo gastos com pessoal inativo, por exemplo, os cursos da USP são muito mais baratos, como afirmam os professores Otaviano Helene, do Instituto de Física (IF) da USP e estudioso na área do custo-aluno e a professora Lighia Horodynski-Matsushigue, também do IF, que realizaram em 2002 uma pesquisa sobre o custo -aluno da USP. Se analisarmos curso a curso, a USP é de longe mais barata. Ela só é mais cara se unirmos todos os cursos, porém esse cálculo é impreciso”, diz.
“Além do lucro, o custo-aluno das universidades particulares possui uma série de fatores que não entram na conta das universidades públicas como, por exemplo, o valor dos imóveis dos campi”, afirma.
Outro ponto favorável à USP é que ela mantém, a custo baixo, um suporte tecnológico para o Ensino Superior que as demais não têm.
Além disso, as outras universidades não possuem uma grande oferta de cursos que precisam de estrutura diferenciada, como laboratórios e biotérios, por exemplo, o que reduz consideravelmente o bolo orçamentário total dessas instituições.
Segundo o professor, “o certo ainda seria comparar cursos de qualidade igual ou aproximada aos da USP, em que se verifica que o ensino público ainda é mais barato, basta comparar o custo-aluno, por exemplo, da Faculdade de Direito com qualquer particular que está no topo dos aprovados da OAB”.
Quanto à proposta de reduzir esse gasto, a professora Lighia argumenta que “é que é difícil reduzir o real custo-aluno sem afetar a qualidade do ensino”.
Números
O levantamento mostra quanto custa um aluno da USP por ano em cada unidade. Para chegar a esse número, foram utilizadas três metodologias. A primeira (A) consiste em calcular a estimativa do custo-aluno através da divisão entre orçamento e número de alunos, excluindo-se o pagamento de aposentadorias e os precatórios e adicionando outras despesas gerais.
A segunda (B) usa como base o valor da primeira, porém excluindo a inter-relação entre unidades e outros gastos que não são ligados ao ensino e à pesquisa. Já a última (C), utiliza o resultado da anterior, só que exclui fatores estruturais (concomitânda entre períodos de ensino, por exemplo) e de planejamento de gastos. Assim, a segunda significa reduzir 10% do valor da primeira e a última foi estimada pelos pesquisadores em
uma redução de 30% em relação à anterior.
Atualizando os valores da pesquisa através do uso da mesma metodologia nos números orçamentários e demográficos de 2005 (ver tabela comparativa ao abaixo), estima- se que um estudante de Ciências Humanas da USP tem como custo anual de R$ 4.923,43 ou de R$ 4.431,08 ou de R$ R$ 3.101,76, seguindo as respectivas metodologias. O de Ciências Exatas e da Terra possui um custo de R$ 11.572,99 ou de R$ 10.415,69 ou de R$7.290,98. Já o de Ciências Biológicas e da Saúde, R$ 18.288,20 ou de R$ 16.459,38 ou de R$ 11.521,56.

Além disso, estudos mostram que investimentos em Educação Superior são rentáveis. Uma pesqui-sa da Unesco e da OCDE (Organização para a Coordenação e Desenvolvimento Econômico) divulgada em 2003 demonstrou o retorno em desenvolvimento para o país. O estudo, realizado em 16 países emergentes, calculou que os investimentos no Ensino Médio e Superior (e não só no Ensino Fundamental) são responsáveis por 0,5% do crescimento anual dessas nações nas últimas duas décadas.”É claro e comprovado que o investimento em educação nunca pode ser prejuízo. Os investimentos em educação dão mais retorno futuro do que os industriais’afirma Helene.