Ocupação da Reitoria da USP
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O Terrorismo de Estado não vencerá
Terrorismo de Estado contra os estudantes da USP.
A ocupação da Reitoria da USP, nesses últimos dias, está fornecendo aos estudantes um contato único com um dos fenômenos típicos de um Estado totalitário: o medo oriundo do terrorismo de Estado. É o mesmo medo que os estudantes enfrentaram durante a ditadura de 1964. O medo que os judeus enfrentaram na Alemanha Nazista. Medo da repressão e das violações policiais, medo da força injusta do Estado. Inegavelmente, neste momento sentimos o medo totalitário em nossos ossos e estamos sob terrorismo de Estado.
Não há diferença entre o medo daqui e o medo da polícia da ditadura. Não há diferença entre o medo que sentimos aqui e o medo que os Judeus viveram durante o nazismo. A repressão é a mesma, a ameaça é a mesma, as armas são as mesmas e os golpes serão os mesmos. Tudo praticado injustamente. Tudo praticado contra o Direito Natural e contra os Direitos Humanos. Tudo praticado contra os Direitos Constitucionais. O Estado autoritário e a repressão perseguiam os Judeus porque eram Judeus. O Estado autoritário e a repressão perseguiam os estudantes e intelectuais durante a ditadura porque eles queriam Democracia. E hoje o Estado autoritário e a repressão nos perseguem porque pedimos direitos que nos pertence e a revogação de decretos inconstitucionais.
Assim como no Nazismo e na Ditadura, hoje o judiciário, uma peça dentro do sistema autoritário julga com base na razão de Estado. Lutamos contra inconstitucionalidades e por mais direitos e tentam reduzir a nossa luta a violação do direito de propriedade. Essa redução é estúpida, mas ardilosa. Em um Estado autoritário é preciso abrir a porta para o terrorismo de Estado. É preciso arranjar justificativa para a ação e a suposta violação do direito de propriedade é essa porta. Essa suposta violação legitima o terrorismo de Estado. A violação da propriedade legitima violações, por parte do Estado, de direitos fundamentais. Agora o Juiz nos proibiu de protestar, proibiu a liberdade de manifestação, expressão e pensamento. Lutamos contra uma inconstitucionalidade e nos dão repressão, mais inconstitucionalidades e Terrorismo de Estado. O Juiz pertence ao regime autoritário. É um Juiz do regime.
Inegavelmente, vivemos hoje um autoritarismo compartilhado entre o judiciário e o executivo. Isso também ocorreu no nazismo. Isso também ocorreu na ditadura de 1964. O Judiciário, ao invés de proteger o Estado de Direito e os direitos fundamentais, alia-se ao governante e julga em nome da razão de Estado. O Estado de Direito, com essa união promíscua transforma-se em Estado da Direita. Um ditador com duas cabeças: uma controlando o executivo e outra dirigindo o judiciário.
Aqui na ocupação vivemos o medo totalitário. Medo da Polícia que viola direitos fundamentais, medo do Estado que usa a polícia para garantir decretos inconstitucionais, medo do Juiz que abandona a Justiça e julga em nome da razão de Estado. O Terrorismo de Estado nos apavora, mas temos que resistir e destruir essa plantinha totalitária que está germinando. Não podemos deixá-la florescer. Não podemos deixar esse Terrorismo de Estado continuar usando a força para garantir inconstitucionalidades. Esse caminho, aberto por esse governante, tem que ser fechado imediatamente, pois ele é um caminho totalitário. Não podemos deixar esse mecanismo de se espalhar para outros pontos e chegar ao resto da população. O medo não pode vencer e não pode sair do Campus. O Terrorismo de Estado tem que ser contido.
Se perdermos aqui chegará o dia em que decretos inconstitucionais baterão a nossa porta e dirão: "Seus direitos fundamentais foram revogados. Você não tem mais intimidade e nem privacidade. A partir de agora controlamos a sua vida". Então, iremos protestar contra essas violações, contra esses decretos inconstitucionais e seremos perseguidos pela Polícia que monitora nosso telefone, o nosso email, as nossas correspondência e as nossas conversas. Iremos reclamar no Judiciário e o Juiz do regime, igual o juiz atual, dirá que violamos o direito de propriedade, pois pertencemos ao Estado, os nossos corpos são do Estado e o Estado pode fazer de nós o que quiser, inclusive violar os nossos direitos, nos enviar para campos de concentração, etc. E como prova disso, o Juiz do regime, como esse Juiz de hoje, irá violar os poucos direitos fundamentais que ainda nos resta. Irá nos proibir de protestar.
O Terrorismo de Estado não pode vencer aqui. O medo, as ameaças e as intimidações da polícia e do Estado não podem derrotar a nossa luta, pois lutamos por constitucionalidade e por direitos que nos pertence. O Estado Democrático de Direito tem que ser restaurado e o Estado da Direita tem que ser enterrado. A nossa luta é sensata, é coerente e é justa.
O Terrorismo de Estado não vencerá.
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A revolução é agora
Por Leonildo Correa 20/05/2007 às 21:00
Estudantes brasileiros de todas as partes uni-vos. Uni-vos e
ocupai. Ocupai o centro do poder que vos oprime e nega direitos que
vos pertence.
Estudantes brasileiros de todas as partes, de todos os credos, de
todas as ideologias. Uni-vos e ocupai porque a revolução é agora. A
esperança é agora. A mudança é agora. Neste exato momento todas as
forças estudantis se alinham na busca dos mesmos objetivos. É hora
do levante
estudantil.
Estudantes brasileiros de todas as partes, de todas as cores, de
todas as universidades e escolas. Vocês tem reivindicações. Vocês
tem pedidos negados, direitos suprimidos, vozes sufocadas, olhares
tapados. È hora de reagir. É hora de rebelar contra a opressão,
contra a tirania, contra o poder que vos castra e escraviza.
Uni-vos, estudantes brasileiros de todas as partes. Uni-vos e ocupai
o centro do poder que vos reprime e ataca sem piedade. Somos livres
para nos unir. Somos livres para ocupar. Somos livres para rebelar e
exigir direitos. Somos livres para lutar. Somos livres para ter
esperança e construir um futuro melhor.
Estudantes brasileiros de todas as partes uni-vos e ocupai o centro
do poder que inibe o seu desenvolvimento, inibe a sua criatividade,
reduz a sua liberdade, cala o seu canto.
A revolução é agora. Todas as forças estudantis estão alinhadas.
Queremos nossos direitos agora. Queremos o fim da tirania e da
opressão agora. Não podemos esperar a próxima oportunidade. Não
podemos deixar o mal passar para a próxima geração. A hora é agora.
Estudantes brasileiros de todas as partes ouçam-me. Ouçam-me por um
momento. Todas as luzes estão sobre nós. O sol brilha forte e
a brisa é suave. È época de revolução. Não podemos esperar. Outro
dia é tarde demais. O futuro está sendo escrito agora. As forças
estão alinhadas. Uma voz solitária não pode ser ouvidas. Mas neste
momento todas as vozes estão se somando. Todos os olhos estão sobre
nós.
A hora é agora. É hora de revolução. É hora do levante estudantil.
Não há tempo a perder. O futuro precisa de nós. O futuro precisa de
nossas ações agora. Os pedidos negados devem ser refeitos. Os
direitos negados devem ser contestados. O controle devem ser
quebrado. A dominação deve ser violada. Agora temos força para
pedir. Agora temos força para contestar. Agora temos força para
quebrar e violar.
Estudantes brasileiros de todas as partes não vamos perder essa
oportunidade. A hora é agora. A revolução é agora.
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Ultimato da Reitora
Por Leonildo Correa 11/05/2007 às 10:06
Mas a variável que está correndo aqui é outra. A idéia é não
deixar o movimento estudantil obter sucesso, pois se isso ocorrer a
moda vai se espalhar, não só para outras universidades, mas também
para outros movimentos sociais.
Se com ocupação a reitora não estão negociando, imagina se vai
negociar sem ocupação. Mas o que me deixa atônito nessa história é o
fato desses professores, que dirigem a universidade hoje, terem sido
criados em uma época de máxima repressão. Isso deveria ter feito
deles pessoas democráticas, abertas ao diálogo e à negociação. Não
fez. Acho que fizeram tantas monstruosidades com essa geração que
transformou a geração toda em monstro.
Vejam o caso do Governador Serra. Foi aluno da USP. Era líder
estudantil. Foi diretor da UNE. Foi perseguido e exilado no Chile.
Isso deveria ter feito dele uma pessoa compreensiva e responsável,
não só com o movimento estudantil e com as causas dos estudantes,
mas também com os demais movimentos sociais e com a universidade
pública.
E o que temos hoje ? Temos um Serra que ataca a autonomia
universitária e cria uma secretaria para controlar as universidades.
Não só isso, põem como secretário responsável pelas universidades
públicas um professor de universidade particular. O que isso
significa ? Significa que ele quer é acabar com a USP, a UNESP e a
UNICAMP. Por isso colocou um lobo para pastorear os cordeiros, um
gavião para cuidar dos pintinhos.
E a cartinha do Pinotti para a Reitora pedindo (em tom de exigência)
uma vaga na pós-graduação da USP para o empregado de gabinete mostra
isso claramente. Mostra que mal a secretaria foi criada e as
picaretagens já começaram. Qual será o próximo passo ? Colocar um
deputado do PSDB como Reitor da USP, outro como Reitor da Unicamp e
outro como Reitor da UNESP ?
Mas o pior de tudo foi o Serra rancoroso que foi na TV elogiar as
ações da polícia contra os movimentos sociais e os participantes da
virada cultural. Se os Racionais são críticos fortes da repressão
policial, o que a polícia estava fazendo no show deles ? Certamente,
a polícia foi no show para promover quebradeira e impedir que o show
acontecesse. E o Serra vai na TV elogiar a repressão policial. Vejam
a falta de coerência entre a história do indivíduo e o seu
comportamento. Ele mudou ? Acho que não. Como diz Lionel Luthor da
Série "SmallVille": "As pessoas não mudam, elas são o que sempre
foram. Porém, usam máscaras que nos confundem e enganam."
Portanto, engana-se redondamente quem acredita que o regime militar
não obteve sucesso com seu modelo educacional-repressor. Obteve sim,
pois deformou completamente toda a capacidade de pensamento de uma
geração. E hoje somos governados e dirigidos por filhotes da
repressão e da ditadura, pelas crias dos coronéis e generais.
Na época da ditadura eles lutavam contra o regime, porém ao longo
dos anos o poder do sistema, o medo, as violações, a educação
técnica e sem fundamento filosófico e político, etc, matou toda
capacidade de pensamento e reflexão. O regime autoritário entrou
dentro deles e os assimilou. Sorte nossa que o regime acabou antes
desses robôs da ditadura terem entrado em ação.
Isso explica o que está acontecendo aqui na USP. A Reitora fala em
negociação, mas não negocia nada. Fala em negociação para a
imprensa, mas na mesa com os alunos quer que prevaleça a sua
posição. Menos pior, pois o Vice-Reitor, durante as negociações, não
falava nada, só tremia.
Além disso, esse discurso de negociação da Reitora para a imprensa
tem por finalidade legitimar a repressão policial. Ela vai dizer que
tentou negociar, tentou isso, tentou aquilo. Porém, na realidade,
durante as negociações, não tentou nada. Quer que aceitemos
promessas vazias, propostas sem prazo, etc.
Não, isso não é negociação. Não podemos acabar o movimento levando
para casa um saco de balas e uma caixa de doces. É isso que a
Reitora quer, que a reitoria seja desocupada sem que ela dê nada.
Mas o problema não é a Reitora. O problema são os assessores da
Reitora. Eles impedem que a negociação se efetive, passando
informações falsas e dados incorretos para a Reitora. Dizem que é
impossível isso, que não tem dinheiro para aquilo, que a
Universidade não pode fazê-lo, etc. Tudo mentira. A USP tem dinheiro
para contratar professores. A USP tem dinheiro para fazer as
reformas nas unidades, inclusive está reformando a reitoria. Se há
dinheiro para a reitoria, se há dinheiro para reformar a FEA, se há
dinheiro para reformar a Faculdade de Direito (ganhou um prédio
novo) e se há dinheiro para reformar a Medicina, por que não há
dinheiro para reformar a FFLCH ? As moradias estudantis podem ser
construídas no sistema de parceria público-privada. Se a Reitora não
sabe como fazê-lo é só pedir para a Professora da Faculdade de
Direito Maria Sylvia di Pietro que ela ensina como. O quê não é
possível fazer ?
Mas a variável que está correndo aqui é outra. A idéia é não deixar
o movimento estudantil obter sucesso, pois se isso ocorrer a moda
vai se espalhar, não só para outras universidades, mas também para
outros movimentos sociais. O medo do Tirano Serra é que o Palácio
dos Bandeirantes também seja ocupado e ele tenha que despachar de
algum Batalhão da PM. Inclusive esse seria o local adequado para ele
governar o Estado.
Essa é a idéia que está passando na cabeça dos assessores e do
tirano Serra. Por isso querer impedir que saia um acordo que
beneficie os alunos. Querem mostrar, assim como faz o tirano Serra,
que a polícia é a solução, que movimento social não obtém sucesso,
que somos baderneiros, etc.
Enfim, fechando o cenário da diplomacia, do diálogo e das
negociações, abrem-se as portas para a entrada dos radicais. Até
agora os radicais foram contidos dentro do movimento de ocupação,
pois esperávamos que tudo se resolvesse na conversa e na
argumentação, mas se isso não for possível, se a repressão vai falar
mais alto, soltem os radicais. É sempre assim: a última barreira de
resistência pertence aos radicais. Por isso, eu sempre falo pouco e
só entro na conversa no fim, quando todas as luzes da razão se
apagam, somente a força e a violência resolvem. Isso vale para o
Estado, mas vale também para aqueles que lutam contra a opressão e a
tirania do Estado.
O Estado pode sangrar os movimentos sociais. Mas os movimentos
sociais também podem sangrar o Estado e os governantes. Nós somos a
maioria. Nós somos a coletividade. O poder nos pertence. Lutamos por
direitos. Lutamos por Justiça. E se querem nossas cabeças, terão que
vir pegar. Os governantes são empregados da coletividade e se não
ouvem e nem atendem as nossas exigências, podemos demiti-lo a
qualquer tempo. Derrubá-los do pedestal.
Deus Salve a Ocupação.
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Carta aos companheiros do CRUSP
Nós somos o sangue da ocupação da reitoria da USP. Nós precisamos de
moradia estudantil e de assistência estudantil. Nós estudamos nas
escolas públicas e fizemos os piores cursinhos e, mesmo assim, mesmo
com toda essa adversidade lutando contra nós: vencemos !!! Apesar de
tudo e apesar de todos entramos na USP. No primeiro momento alegria
total, cara pintada, cabelo raspado, banho de lama. O doce gosto da
vitória e da felicidade. Mas no primeiro dia de aula...quanta
decepção. Salas de aula lotadas e sem ventilação. Faltam professores
e deram-lhe uma vaga no cortiço do Aluízio Azevedo. (Inclusive você
chega a pensar que a Fuvest inseriu esse livro na lista de leituras
obrigatória para preparar psicologicamente os alunos que irão
morar no CRUSP ou em algum alojamento. Assim o choque não é tão
grande.) Pior ainda, você sente que foi enganado pelo manual da
Fuvest, que fizeram propaganda enganosa.
Isso acontece com você que veio da escola pública, mas não acontece
com os fedelhos burgueses que entraram na Medicina, no Largo São
Francisco, na FEA, etc. Lá não faltam professores. Os prédios e as
carteiras são novos: recém reformados. E o apto onde irão morar fica
próximo da paulista. Lembro-me de um colega que contava a história
de um filho de fazendeiro que veio estudar no Largo São Francisco.
Antes de seu pai comprar um luxuoso apto para ele nos Jardins, o
herdeiro do grupo dominante ficou hospedado, por alguns meses, no
MAKSOUD PLAZA.
Agora eu pergunto a você, companheiro do CRUSP: "Conseguiu ver a
opressão, a exclusão, as desigualdades ?" As unidades onde funcionam
os cursos da burguesia não estão sucateadas, não chove lá dentro,
estão novas em folha. As unidades onde estão os cursos frequentados
pela maioria dos estudantes pobres que vieram de escola pública
estão caindo aos pedaços. As desigualdades e as exclusões que
existem fora dos portões da USP são reproduzidas aqui dentro. A
FFLCH é a periferia da USP.
Esse movimento de ocupação da reitoria da USP significa muito para
nós moradores do CRUSP, pois une os problemas que enfrentamos nas
unidades de ensino com os problemas da moradia e assistência
estudantil. Os fedelhos burgueses que estudam na FFLCH e que vem de
carro para a USP não vêem o mundo dessa forma, pois não vivem o que
vivemos, não passaram pelo que passamos e não irão pedir o que
precisamos. Esses pensam que moradia e assistência estudantil não é
necessário e que pode ser relativizado.
Lembro de um político burguês que achava um absurdo determinadas
políticas sociais que visavam dar aos pobres três alimentações por
dia. Ele dizia que só uma refeição diária já era suficiente. E que
três refeições era luxo.
O problema das revoluções são os contra-revolucionários infiltrados.
Gente que está do nosso lado, mas que se dispõe a nos vender por 30
moedas. Para os fedelhos burgueses a única coisa que interessa são
as reformas na FFLCH. Isso satisfaz as suas necessidades. Contudo,
as nossas necessidades vão além, muito além, disso.
Se os fedelhos burgueses tomarem conta do movimento de ocupação vão
nos vender na primeira oportunidade que tiverem. E se isso acontecer
as retaliações da reitoria recairão sobre nós, uma vez que nós temos
uma ligação direta com a Universidade, temos um endereço certo e é
fácil nos prejudicar, inclusive porque somos a parte mais fraca.
Basta a reitora apontar o dedo para o CRUSP e dizer: corta as
bolsas, corta a luz, corta a água, etc. Eles, os fedelhos burgueses,
só vem para a USP em dia de aula. Não há como prejudicá-los. Em
outras palavras, nós demos a nossa cara para bater e corremos o
risco de sermos traídos pelo fedelhos. Isso não pode acontecer.
Portanto, companheiros cruspianos, o sangue desse movimento de
ocupação da reitoria somos nós. Se todos os moradores do CRUSP
saírem do movimento ele murcha como uma bexiga que perde o ar. Além
disso, nós estamos correndo o maior risco, dada a nossa ligação de
dependência com a universidade, nós somos os oprimidos e os
excluídos aqui dentro da USP. Logo, nós temos que tomar conta do
movimento. E se os fedelhos burgueses nos venderem, se negociarem
coisas que não são boas para nós, eles saem da reitoria, mas nós
não. E se tirarem todos, nós tomamos conta novamente. Se derem um
contra-golpe no movimento, nós damos um golpe novamente.
Enfim, quem precisa de universidade pública, gratuita e de qualidade
é a mesma classe dos estudantes que precisam de assistência
estudantil, dos estudantes que estudam nos cursos de periferias da
USP. Para os burgueses a universidade pública, gratuita e de
qualidade significa economia, pois não precisão pagar por um curso
desses nas universidades particulares ou no exterior; para nós,
estudantes das escolas públicas, significa a única forma de termos
uma educação relevante e significativa, que faça diferença.
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Precisamos de unidade, comando centralizado e focalizar nos objetivos
Acabei de sair da Assembléia de ocupação e estou preocupado. A
unidade do movimento está se quebrando. Os objetivos estão se
perdendo e as intrigas pessoais estão aparecendo. Enfim, estamos
chegando num ponto crítico do movimento e se não centralizarmos o
comando e reduzirmos as fragmentações os grupos dominantes da USP
irão vencer. Inclusive acho que a estratégia da USP é justamente
esta: esperar o cansaço dos alunos e investir na intrigas pessoais.
Outro ponto preocupante é o fato de reunir Assembléia para qualquer
coisa. Quero ir no banheiro - chama uma Assembléia. Quero beber água
- chama uma Assembléia, etc. Companheiros, existem coisas que não
precisam ser levada para Assembléia. Existem coisas que são óbvias,
são lógicas, que temos que fazer independentemente de Assembléia
para segurar o movimento e garantir a ocupação. Temos que fazer com
que todos ajam uniformemente, apontando para os objetivos
estabelecidos
Além disso, precisamos de um comando centralizado que analise todos
os pontos do movimento e proponha saídas rápidas. Dentro desse
comando alguém deve permanecer em contato direto com os demais
alunos dizendo o que deverá ser levado discutido em Assembléia. Se a
todo momento tudo parar e virar uma discussão sem fim, não
chegaremos a lugar nenhum. A reitoria está investindo nisso.
Nossos adversários atuam de forma centralizada. Sentam e discutem
seus ataques. Montam suas estratégias e armadilhas e estão correndo
na dianteira, pois tem os outros integrantes dos grupos dominantes
(gente da pesada), assim como as mídias, defendendo suas posições e
atacando o movimento de ocupação. Eles atuam uniformemente, enquanto
nós fazemos Assembléias que estão levando a uma perda de foco.
A carta do vice-reitor é uma indicação clara de que a tendência é
não ceder e investir no esvaziamento do movimento. Temos que reagir
a isso centralizando o comando do movimento e nos preparando para um
conflito com as forças de opressão. Não teremos tempo para fazer
Assembléias quando a polícia bater na porta para invadir. A polícia
vai atacar com violência e vão começar jogando bombas dentro do
prédio, etc.
Portanto, eu proponho a formação de um grupo de comando que assuma o
controle do movimento e outorgue competências para comissões
específicas e que somente as questões de extrema relevância seja
levada à Assembléia. Algumas comissões já existem, mas podemos criar
outras, sendo as comissões soberanas nos assuntos para os quais
foram criadas.
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Comissões da Ocupação
Ao invés de discutir todos os temas em Assembléia, é mais fácil
discutir os temas no âmbito das comissões. E cada comissão tem que
ser soberana nos assuntos que controla, somente levando questões
relevantíssimas para discussões na Assembléia. Algumas comissões
outras precisam ser criadas e devem começar a trabalhar
imediatamente.
Assim, precisamos das seguintes comissões:
1) Negociação - negocia com os opressores;
2) Comunicação - Dissemina o movimento e busca apoio;
3) Impressão - Cuida da impressão dos materiais necessários;
4) Segurança - zela pela integridade do prédio e monitora as
entradas e saídas
5) Alimentação - Cuida da comida;
6) Espionagem - monitora a movimentação da guarda universitária, a
entrada de policiais no Campus e as ações da procuradoria da USP na
justiça;
7) Resistência - cuida das respostas para o caso de uma ação
policial contra o movimento de ocupação.
Se cada uma dessas comissões funcionarem perfeitamente alcançaremos
nosso objetivo. Mas cada membro tem que dar o sangue pela comissão.
Sem dispersão e sem intrigas pessoais.