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A ocupação da reitoria da USP não pode acabar em nada |
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Leonildo Correa - Faculdade de Direito
Temos visto muitas mobilizações aqui na USP que
acabaram em nada, ou então, conquistaram tão pouca coisa que você
acaba se perguntando: valeu a pena ?
Essa sensação de luta frustrada, para um movimento social, é
extremamente perversa, pois essas mobilizações acabam ficando
desacreditadas e cada vez menores. Se é para iniciar uma luta como
esta temos que
estabelecer objetivos claros e precisos e somente terminar o
movimento quando conquistá-los. Ainda mais quando o ápice da luta
foi atingido, ou seja, quando se realizou uma ocupação como esta.
Isso tem que ser decidido para que saibamos o que fazer no caso de
não se chegar a um acordo e a polícia tentar invadir o prédio. O que
fazer ? Correr ? Para que lado ? Enfrentar a polícia ? Com que arma
? Incendiar o prédio ? Onde está a gasolina ? Etc...
Essas questões têm que ser discutidas, pois precisamos estar
preparados, principalmente, para a eventualidade de uma invasão
durante a madrugada. Se é para resistir bravamente e fazer com que
esse movimento entre para a história, tudo tem que ser arquitetado
antecipadamente e as pessoas preparadas para o que der e vier.
Assinalo que a prudência é uma virtude e estamos lidando com gente
traiçoeira que não cumpre o que fala. Basta lembrar que a Reitora
não compareceu à reunião marcada.
Agora se esse movimento é mais um daqueles que não dará em nada. É
apenas mais uma teatro enganador ou um movimento de moleques, ou
seja, uma farra; é bom não perder muito tempo. Contudo, alerto que
isso afetará profundamente a credibilidade desse tipo de mobilização
social e, na próxima vez, poucos irão participar, pois ninguém vai
querer se expor tanto para não alcançar nada. A nossa reputação está
em jogo, assim como a eficiência desse tipo de movimento.
Além disso, é fundamental estabelecermos um mecanismo para o caso de
descumprimento do acordo firmado, ou seja, os professores fecham um
acordo que é bom para ambas as partes, acaba o movimento e, na
semana seguinte, rindo da nossa cara eles dizem que não irão cumprir
o acordado. O que faremos ? Batemos na cara deles ? Invadimos
novamente ?
Outra questão pertinente refere-se à busca de apoio político,
principalmente dos governantes, deputados e senadores que se
elegeram com votos dos estudantes. Votamos neles para que apóiem
lutas como estas e usem do poder que adquiriram da coletividade,
principalmente dos estudantes, em favor da coletividade. Certamente,
uma pressão política de Brasília sobre a USP seria um ponto decisivo
a nosso favor.
Mais do que isso, fechando uma articulação com Brasília os
benefícios do nosso movimento aqui na USP pode chegar a todos os
estudantes brasileiros, principalmente nas questões que envolvem
assistência estudantil e sucateamento das Universidades Públicas.
Que a nossa luta não seja vã e que beneficie o maior número possível
de estudantes brasileiros. A assistência estudantil tem que ser um
direito de todo estudante de escola ou universidade pública. Tem que
ser um direito declarado em lei e não uma mera liberalidade da
instituição.