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A história humana é uma história de violência |
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Leonildo Correa - Faculdade de Direito
Somente ocorreram mudanças significativas na
história humana quando os oprimidos encostaram a faca na garganta
dos opressores. A Revolução Francesa foi uma revolução violenta. Por
isso deu certo. A Revolução Russa foi uma revolução violenta. Por
isso os revolucionários conquistaram o poder. Os ingleses foram
expulsos da América depois de uma guerra violenta. A Revolução
Chinesa somente alcançou êxito depois de uma guerra sangrenta.
Não há como separar as mudanças significativas da história humana de
uma guerra ou de uma revolução violenta. Mas então dirá algum
observador perspicaz, a Índia não fez uma revolução violenta ?
Certamente não, pois na Índia a não-violência é uma religião. Mesmo
assim Gandhi morreu com um tiro. Mas os negros americanos
conquistaram muita coisa sem violência ? Mesmo assim Luther King, o
grande líder negro, morreu com um tiro.
Enfim, onde não houve revolução violenta nada deu certo. Vejam o
Brasil. A escravidão e a opressão continuam até hoje. Os governantes
que vieram nas caravelas ainda estão no poder ou próximo deles.
Talvez se tivéssemos tido uma revolução violenta eles não estariam
por aí, escondidos na sombra manipulando a mídia, manipulando
jornalistas, bancos, etc.
Quem tem medo de uma revolução violenta é a classe dominante. Ela
tem muito a perder com uma revolução desse tipo. Os oprimidos, ao
contrário, se não morrerem lutando em uma revolução que visa
alcançar a sua liberdade e a independência, morrerão com um tiro da
polícia quando estiverem chegando do trabalho escravo em uma das
milhares de periferias e favelas que existem neste país. Os
oprimidos não perderão nada se iniciarem uma revolta armada
sangrenta. Talvez a única coisa que percam seja as correntes da
opressão, da exclusão e das desigualdades.
Enfim, discurso de não-violência e de direitos humanos é adequado e
inerente aos grupos dominantes que moram nos bairros nobres onde os
índices de homicídios são iguais a zero. Nesse locais o discurso da
não-violência e dos direitos humanos colam. Em uma periferia onde os
confrontos militares são comuns e se vive ouvindo tiros e explosões
e convivendo com mortos na soleira da porta não-violência e direitos
humanos é mito, conversa para boi dormir.
Quando a violência chegar nos bairros chiques e nobres, do jeito que
ela existe na periferia, não tenham dúvidas, a situação será
resolvida imediatamente. Enquanto for negro matando negro, pobre
matando pobre, traficante matando traficante ou policial matando
traficante, as mortes continuarão sendo tratadas como controle de
natalidade.
Além disso, engana-se redondamente quem acha que o futuro será um
lugar de paz e harmonia. O futuro será de guerras e guerras
sangrentas. Por isso todos os países investem maciçamente em armas.
Se o futuro fosse de paz ninguém investiria em armas, pois seria um
dinheiro perdido. Inclusive se se analisar as notícias dos últimos
anos observar-se-á que os maiores investimentos estão sendo feito em
arsenais bélicos: armas nucleares, mísseis balísticos, escudo
anti-míssil, projeto guerras nas estrelas, Guerra no Iraque, etc.
Esses investimentos militares tem uma razão: os recursos naturais e
minerais se tornarão cada vez mais escassos e dominará esses
recursos a nação que tiver poder militar para conquistá-los, ou
seja, eu sou mais forte que você e você tem algo que eu quero e é
essencial para a minha sobrevivência, o que eu faço ? Tomo de você.
Se reclamar ainda leva um cascudo. Por isso o futuro será de
guerras.
Inclusive há um documentário interessante sobre esse assunto chamado
"Império do Caos". Pretendo disponibilizar esse documentário no You
Tube um dia desses.
Portanto, a meta não iniciar uma guerra violenta e sangrenta o mais
rápido possível, mas sim mostrar aos grupos dominantes que se a
situação não for resolvida rapidamente, se a opressão e as exclusões
não acabarem e as desigualdades não forem reduzidas, chegaremos a
uma guerra sangrenta e violenta, inevitavelmente.