Diretores da USP recomendam o uso da repressão policial
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Por Leonildo Correa 12/05/2007 às 22:39
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Íntegra da nota da direção da USP publicada no G1:
Os diretores das Unidades de Ensino e Pesquisa e demais dirigentes
da Universidade de São Paulo, reunidos em sessão plenária nesta
Capital, vêm a público para manifestar por unanimidade:
1) o mais veemente repúdio à invasão e ocupação do prédio da
Reitoria por estudantes e outros participantes mediante violência
contra o patrimônio público e de constrangimentos aos que lá
trabalham;
2) que, persistindo o impasse, apesar de todos os esforços da
Reitora e sua equipe para encontrar uma solução negociada por meio
de propostas concretas, vêm apoiar a adoção das medidas
institucionais e jurídicas que se fizerem necessárias ao
encerramento dessa agressão à Universidade Pública.?
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Um dos grandes males da universidade é a incapacidade dos dirigentes
em negociar e fazer o que tem de ser feito. A luta dos estudantes é
por melhoria nas unidades. Unidades que em sua maioria foram
dirigidas por diretores incompetentes que não conseguiram enxergar
um palmo na frente do olho. Se os diretores fossem competentes nós
não precisaríamos ter feito esse movimento. Se os diretores
cumprissem a função que lhes foi atribuída, não estaríamos aqui.
Faltam professores. E o que os diretores fazem ? A unidade está
caindo aos pedaços. E o que os diretores fazem ? Nada. Se nós
estamos lutando é porque a incompetência chegou ao limite. Se os
problemas tivessem sido resolvidos por quem tem a obrigação de
fazê-lo, nada disso teria acontecido.
Medidas legais e jurídicas significa reintegração de posse e invasão
policial. Coisa típica na cabeças desses diretores. Talvez se
levantássemos a ficha de todos eles descobriríamos que foram
colaboradores do regime militar. Passaram ilesos pelo regime, pois
lamberam as botas dos generais. E agora querem repetir a façanha.
Querem reviver na nossa geração o mal da repressão com a qual
colaboraram.
Sinto muito, diretores das unidades da USP, mas nem nome vocês tem e
a história diz que a nossa geração vai enterrar vocês. O rastro de
vocês será apagado por uma breve brisa. Não haverá vestígios, nem de
vocês e nem da ditadura que vocês alimentaram.
Mas vamos imaginar o cenário. A polícia cercando o prédio. Jogando
bombas dentro do prédio. Estudantes sangrando, colchões e papéis
queimando, etc. E vocês de suas casas assistindo tudo pela TV e
dizendo: "Tiveram o que mereceram. Quem mandou lutarem por mais
moradia, mais professores e reformas nas unidades que chove dentro.
Se não tivessem feito nada. Nada disso teria acontecido."
Diretores de unidades, juízes, promotores, delegados, policiais,
todos colaboradores do mal, da opressão, das injustiças e das
desigualdades. Vocês são a classe dominante. A mesma classe que foi
exterminada ao longo de toda a história e de todos os tempos.
Sobrevivem no Brasil porque ainda não houve uma revolução violenta
aqui. Se houver, certamente, não vão sobreviver, pois todo o mal que
plantaram ser-lhes-á devolvido em dobro.
A mão de vocês está cheia de sangue. Não pelas ações, mas pelas
omissões, pela indferença, pelo trabalho dissimulado contra a
coletividade, pelas recomendações: "Usem a justiça e a polícia".
Vocês oprimem, vocês excluem, vocês sangram os mais fracos. Cada
bala atirada contra um estudante, vocês estão por trás. Cada bomba
jogada por um policial contra os Sem-teto, vocês estão por trás. Em
cada Sem-terra morto em Carajás, há a marca de vocês. Em cada preso
assassinado no Carandiru, há o nome de vocês. O ódio que vocês
espalham é muito grande.
Vocês pensaram e criaram um país de opressão, de exclusão e de
desigualdades. O que vivemos e sofremos hoje foi plantado por suas
mentes e ações diabólicas. Não vão passar... Vocês não passarão,
pois a história é escrita por nós. A época de vocês acabou. A
revolução de vocês se perdeu. E a nossa está só começando.
Sensatez, coerência e justiça.
Deus salve a ocupação.