|
Ocupação da reitoria: nós queremos tudo e mais um pouco |
Leonildo Correa - Faculdade de Direito -- 11/05/2007 às 11:55
Se a Reitora quer acabar com a ocupação o que tem
que fazer é isto: assume todas as pautas apresentadas como máxima
prioridade da Universidade. Inclusive as construções de moradia,
reformas das unidades e contratações de docentes. Tudo o que foi
exigido tem que ser feito, caso contrário a USP vai desmoronar.
Promessas vagas e idéias gerais são coisas de politiqueiros.
Negociações não podem acabar com promessas. Tem que acabar com
acordo escrito e detalhado, inclusive com cláusulas penais para o
caso de descumprimento. Portanto, o acordo final dos estudantes com
a Reitora tem que ser um documento no qual fique bem claro o que
será feito e o prazo para ser feito. Além disso, tem que haver uma
cláusula dizendo que caso os prazos não sejam cumpridos, deverá a
Reitoria pagar multa diária pelo descumprimento. E esse acordo deve
constituir um título executivo extrajudicial. Não cumpriu o avençado,
o movimento estudantil aciona a justiça para executar o acordo.
Se a Reitora quer acabar com a ocupação o que tem que fazer é isto:
assume todas as pautas apresentadas como máxima prioridade da
Universidade. Inclusive as construções de moradia, reformas das
unidades e contratações de docentes. Tudo o que foi exigido tem que
ser feito, caso contrário a USP vai desmoronar. Como estudar em sala
de aula que vira cachoeira em dia de chuva ? Como estudar se não há
professor ? Como estudar morando em um cortiço ou em vestiário
embaixo do estádio do CEPEUSP ? Tudo isso vem acontecendo a muito
tempo e prejudicando muita gente. Portanto, não foram exigidos
regalias, não foram exigidos impossibilidades ou coisas difíceis de
realizar. Tudo pode ser feito e está ao alcance da Reitora. Basta
ela querer fazer.
Os assessores que vivem dizendo que não pode ser feito, não tem
dinheiro, etc devem ser demitidos, pois estão trabalhando a favor do
sucateamento da universidade pública e contra a coletividade. Basta
pensar um pouquinho para se encontrar soluções criativas que
resolvem a maioria dos problemas da Universidade. O problema é que
os assessores não pensam. Para eles é mais fácil ficar com a bunda
colada na cadeira digitando ofício e falando que não pode, não dá
certo, etc, do que saírem a campo para buscar soluções.
A idéia é simples: assessor existe para resolver os problemas e
evitar as crises e não para empurrar os problemas com a barriga e
gerar mais crise.
Para construir moradias estudantis as parcerias público-privado são
o melhor caminho. Essas parcerias possibilitam a construção de
qualquer quantidade de moradia estudantil a custo zero para a
universidade. Clique aqui para saber como isso funciona:
http://prod.midiaindependente.org/en/blue/2007/05/380994.shtml
Outra idéia que pode ser colocada em prática refere-se à fonte de
recursos para Assistência Estudantil. Tirar dinheiro do orçamento da
USP para isso é um pouco complicado, pois o dinheiro nesse orçamento
é escasso. Por isso o desafio que ocupou a minha cabeça nos últimos
dias foi encontrar uma fonte que fornecesse recursos inesgotáveis. E
encontrei.
Encontrei as Fundações que atuam dentro da USP, nas unidades, e
exploram (usam) o espaço público pagando valores irrisórias à
coletividade. Mais do que isso, Fundações que movimentam milhões e
não pagam imposto, pois são organizações sem fins lucrativos.
Queremos uma fatia de 10% da movimentação líquida dessas Fundações.
Dinheiro que deve ser destinado a um fundo de Assistência
Estudantil.
Mas além das Fundações das unidades existe outra Fundação que também
pode dar dinheiro para a Assistência Estudantil. Essa Fundação é a
FUVEST que movimenta mais de R$ 16.000.000,00 (Dezesseis milhões de
reais) por ano, contando o vestibular e as demais provas aplicadas
por essa organização. O que estão fazendo com esse monte de dinheiro
? O custo para aplicação e correção das provas são baixos. Além
disso, a USP recebe mais R$ 300.0000,00 no contrato com o Santander
para que as inscrições sejam efetuadas nesse banco. Mas e as
isenções ? As isenções custam pouco para a USP. Portanto, a FUVEST
pode dar 50% dos recursos que arrecada para a Assistência
Estudantil. E ainda vai sobrar muito dinheiro para essa Fundação.
Essas Fundações não podem ter lucro, logo a acumulação de recursos é
uma porta aberta para a corrupção e para os desvios. Porém, os
assessores macunaímas vão alegar a impossibilidade disso ser feito,
pois os Estatutos das Fundações são específicos e determinados. A
minha resposta é: mudem o Estatuto das Fundações. Se não querem
mudar o Estatuto a Fundação deverá sair de dentro da USP e parar de
usar os recursos e o espaço público. A USP pode estabelecer como
cláusula obrigatória para permanência das Fundações aqui dentro a
destinação desses recursos para Assistência estudantil.
Enfim, um boa fonte de recursos para assistência estudantil são as
Fundações que devem dar uma contribuição maior para a coletividade.
Contribuição que deve consistir na destinação de parte do valor
líquido, que acumulam em cada exercício financeiro.