Congregação da FFLCH contra os estudantes

O Poder pertence a maioria

By Leonildo Correa 05/05/2007 At 19:03

O cinismo da Congregação da FFLCH é estarrecedor. Alguém tem que dizer para essa congregação que para negociar é necessário ter duas partes presentes. E que não há negociação quando uma das partes, ao invés de ir negociar, vai viajar para a Europa.

A moção de repúdio da congregação da FFLCH deveria ser dirigida à Reitora que não cumpriu o seu papel de dirigente desta Universidade. A Congregação deveria repudiar a conduta autoritária e opressiva da Reitora. Mas, como sempre, é mais fácil culpar os mais fracos, culpar a coletividade de estudantes pela desgraça que eles, como dirigentes da USP, estão causando à sociedade e à Universidade.

Lembro à Congregação da FFLCH que nós alunos somos a massa da universidade. Nós somos a maioria. Estamos em todos os locais. Portanto, a nossa opinião tem um peso considerável. Inclusive, acho que está na hora de transformar os 300 da Ocupação em 80.000 da Universidade. Está na hora de mostrar que essa luta é uma luta de todos os alunos, pois se a USP for sucateada e destruída o diploma de todos aqueles que aqui estudaram não servirá para nada, pois não valerá nada. Será um lixo como outro qualquer.

Hoje, de acordo com o site da USP, existem:
Alunos matriculados na USP --------- 80.589
Graduação (1o semestre) --------- 48.530
Pós-Graduação --------- 25.007
Especiais --------- 7.052

Docentes --------- 5.222
Técnicos-Administrativos ----------- 15.295

Se esses números brigarem, quem ganha a parada ?

Fonte dos dados:
http://www2.usp.br/portugues/conteudo.php?dir=/ausp/infogeral/USPemnumeros.htm

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Resposta do Movimento de Ocupação

Nota pública em resposta à Moção de Repúdio da Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Gostaríamos de expor nossa posição a respeito da moção de repúdio à ocupação da Reitoria, divulgada nesta sexta-feira, 04, pela Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

De acordo com a moção, a Congregação ”se recusa a ser complacente com o emprego de meios violentos no encaminhamento e resolução de demandas públicas”. Justamente pelo caráter público de nossas reivindicações, acreditamos que elas devam ser debatidas publicamente. Com o intuito de garantir esse debate, convidamos a Reitora Suely Vilela, com a devida antecedência, para uma audiência pública, no último dia 3. Diante da ausência da Reitora ou de representantes, e sem qualquer notificação, os estudantes, reunidos em assembléia, decidiram se dirigir à Reitoria com o intuito de entregar a pauta de reivindicações e protocolar uma nova audiência. Contudo, as portas estavam fechadas. Forçar a entrada provou-se a única maneira de conseguirmos uma interlocução com a Reitoria.

Não entendemos o ato realizado como uma forma de violência, tal como foi tachado pelo documento citado. A violência que existe na sociedade brasileira, e que decerto deve ter suas causas combatidas, em nada se assemelha a uma manifestação em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, para todos e todas. A criminalização dos movimentos sociais presente na moção da Congregação da FFLCH escamoteia a questão central: a precarização do direito inalienável à educação, por meio do desmonte infligido ao sistema público de educação. Os decretos ora combatidos são mais um elemento desse processo, assim como o foram os dois vetos de Alckmin e Lembo ao aumento de verbas para a Educação Pública, aprovado pela Assembléia Legislativa nas duas últimas Leis de Diretrizes Orçamentárias.

Concordamos com a Congregação da FFLCH em sua afirmação de que “somente o diálogo e a negociação são capazes de deter a destruição do patrimônio da sociedade e conter ameaças à privatização da universidade pública”. Por isso ocupamos a Reitoria da USP.

Comissão de Imprensa – Ocupação da Reitoria